Posted by: Carlos Scomazzon | Terça-feira, Abril 15, 2008

Trenzinho da alegria

Para quem acredita, como eu, numa comunicação verdadeiramente pública, com emissoras focadas no interesse público, a criação da TV Brasil e da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) veio cercada de grandes expectativas. Logo que o governo federal anunciou a intenção de enviar projeto neste sentido ao Congresso Nacional, a sociedade, por meio de entidades representativas como o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), sindicatos de jornalistas e diversos outros setores começaram a debater intensamente os critérios que deveriam nortear uma tv pública e a representatividade que deveria ter o seu conselho gestor.

Pois, antes mesmo da aprovação do projeto, veio a primeira decepção. O ministro Franklin Martins, recém chegado ao poder, foi logo anunciando que o tal conselho teria todos os seus representantes indicados pelo próprio governo, o que causou grande irritação e descontentamento nas entidades envolvidas nos debates sobre a nova TV pública. Agora, outra novidade decepcionante. Em artigo veiculado pelo Observatório da Imprensa, no dia 1º de abril, Antônio Carlos Teixeira alerta que a Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência da República estaria preparando edital que prevê a contratação, sem concurso público, de jornalistas e relações públicas para cargos comissionados, com salários que variariam de R$ 6,5 mil a R$ 10 mil.

Segundo o articulista, não se sabe, ao certo, onde vão atuar os novos contratados: se na própria Secom, na EBC ou em outros órgãos do Executivo. A se confirmar a notíca, começa mal a TV Brasil e a EBC. Ao contrário do discurso do governo federal, de que não seria a TV do Lula, ficará difícil construir uma TV pública de fato, com cargos comissionados e conselho gestor com nomes indicados de acordo com o gosto da Presidência da República. A sociedade precisa ficar alerta e exigir mais participação no conselho gestor, para que a TV Brasil não seja cabide de empregos nem fique atrelada a governos.

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