Posted by: Carlos Scomazzon | Quinta-feira, Abril 17, 2008

Em Brasília, 19 horas

O jornalista Eugênio Bucci, que comandou a Radiobrás até o final do primeiro mandato do presidente Lula, lançou o livro Em Brasília, 19 horas, pela Editora Record. Autor de obras como Sobre Ética e Imprensa (Companhia das Letras) e Do B (Record), Eugênio Bucci traz, por meio deste novo livro, um debate extremamente relevante e atual sobre a democratização da comunicação pública e dos veículos estatais/públicos e o direito do cidadão à informação. Vem ganhando mais espaço a discussão sobre a necessidade de que esses veículos deixem de ser canais chapa-branca, defensores da imagem do governante ou da instituição, para que tenham sua atuação voltada ao interesse do cidadão. Destaco alguns trechos interessantes do prefácio do livro de Bucci, que vale a pena ser lido por todos que se interessam pelo tema:

♦ Na véspera do dia 2 de janeiro de 2003, eu sabia, uma boa parte dos meus colegas de novo governo exultava do alto de suas mais heróicas fantasias petistas, sedentos para pôr a mão na máquina.

♦ Depois de sintetizar os rumos que pretendia imprimir à Secom, falando com a rapidez de uma metralhadora, (o ministro Luiz) Gushiken quis ouvir a minha opinião sobre comunicação pública. Tentei parecer igualmente categórico. Disse que já era tempo de os governos pararem de tentar difundir mensagens para se promover à custa da máquina pública. Em lugar disso, deveriam atender o direito do cidadão à informação. Nada mais. Havia já muitos anos que eu insistia na tese: assim como a educação, a moradia, a saúde e o trabalho, a informação também era um direito fundamental.

♦ Há com freqüência um equívoco, e esse equívoco é o de achar que nós pomos no ar as informações que nos interessam e ponto. Isso é um equívoco, porque quando as informações que nos interessam não correspondem às necessidades do cidadão a credibilidade começa a ser ferida. Portanto, as informações que nos interessam veicular são as informações a que o cidadão tem direito. Isso é a construção da credibilidade. Quem está no topo de todo esse trabalho é o cidadão. É aquele que muitas vezes não exige porque não sabe que pode exigir. E o nosso trabalho é ensiná-lo sobre isso, ensiná-lo que ele pode exigir.

♦ Era uma promessa solene em minha posse tão pouco solene. A Radiobrás, durante a minha gestão, serviria não mais à finalidade de construir uma imagem favorável de governantes, mas à missão de dar ao público a informação que ele tem o direito de ter.

♦ Se na minha gestão – como neste meu depoimento – alguns identificarem traços personalistas, digo apenas o seguinte: para o bem da administração pública, investi o que de melhor havia na minha personalidade para construir a impessoalidade. Tratar a empresa pública como coisa pública, até o fundo, até o limite, foi o foco da minha gestão.

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