Postado por: Carlos Scomazzon | Domingo, Maio 11, 2008

Glauber na TV Brasil

Paloma Rocha, filha do diretor brasileiro Glauber Rocha, revelou que pretende realizar uma série de projetos relacionados à obra cinematográfica de seu pai neste ano e em 2009, quando o cineasta completaria 70 anos. No próximo dia 13, estréia na TV Brasil o primeiro destes novos projetos, a série inédita Sertão Glauber. Dividida em oito episódios de 30 minutos, a série, com imagens feitas em 1968, mostra a história de O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro, filme exibido no último Cine Ceará e vencedor do prêmio de melhor direção no Festival de Cannes em 1969.

“Sempre existe uma confusão, porque muita gente acha que ele ganhou a Palma de Ouro pelo filme, mas, na verdade, foi o prêmio de melhor diretor, no ano em que o festival foi presidido por Luchino Visconti”, conta Paloma, produtora e diretora da série. “O mais engraçado é que nós não temos este prêmio porque, na época, Zelito Vianna (produtor do filme e irmão do comediante Chico Anysio) o levou para o hotel onde estavam hospedados na França. Então, todos saíram para comemorar e, depois, acabaram perdendo o documento”, afirma Paloma.

Paloma conta que o projeto de Sertão Glauber começou há três anos, quando ela e Joel Pizzini, co-diretor da série, começaram a trabalhar no relançamento dos filmes restaurados do cineasta, ícone do Cinema Novo. “A idéia era ter um documentário para cada filme. Fizemos o Anabazys - Anatomia do Sonho, que foi exibido no Festival de Veneza e ganhou prêmio no Festival de Brasília, e este material da série iria apenas acompanhar DVDs com filmes do Glauber”, conta Paloma.

Porém, após uma conversa com a TV Brasil realizada em janeiro, a emissora se interessou pelo material, e Paloma e Pizzini decidiram formatar o material para criar a série em parceria. “Estamos fazendo praticamente ‘arqueologia’ da obra do Glauber”, afirma Paloma. Entre os momentos mais interessantes de Sertão Glauber, ela destaca uma entrevista de Pizzini a Martin Scorsese para a Folha de S.Paulo, onde o cineasta afirma, entre outras coisas, que os filmes do brasileiro podem ajudar jovens atores a não se renderem à indústria hollywoodiana.

Paloma diz que, além de depoimentos como o de Scorsese e outras figuras relevantes da época como o diretor de teatro José Celso Martinez Corrêa, o crítico Ismail Xavier ou Jean-Pierre Gorin, braço-direito de Jean-Luc Godard, a série conta ainda com diversos trechos de obras da filmografia de Glauber. “O trabalho ajuda os espectadores a entender e conhecer melhor sua obra, com trechos de filmes e imagens importantes, como quando Glauber foi entrevistado em Cuba, em 1968, para falar sobre o papel do intelectual na América Latina, que na época ia para rua, lutava”, conta Paloma. “É uma obra política, poética, com um ritmo ‘épico didático’, como diria Glauber.”

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