Publicado por: Carlos Scomazzon | Terça-feira, Maio 27, 2008

Violência na Colômbia é tema de filme

As cidades colombianas Bogotá e Medelin e uma pequena comunidade rural chamada San José del Apartado, quase na fronteira com o Panamá, protagonizam o documentário O Veneno e o Antídoto: Uma Visão da Violência na Colômbia. Dirigido por Estevão Ciavatta e produzido pela Pindorama Filmes em parceria com o Grupo Cultural AfroReggae, o filme poderá ser visto pela primeira vez em São Paulo no Itaú Cultural, nesta terça-feira, dia 27 de maio. Nele, o diretor mostra como o país implementou política de segurança pública que diminuiu substancialmente a violência nas grandes cidades. Mas revela, também, como no interior do país o confronto entre paramilitares, guerrilha e governo continua derramando sangue, matando pessoas e desmembrando e destruindo famílias.

Depois da projeção haverá um debate com a participação do diretor do documentário, Hugo Acero, ex-secretário de segurança pública da capital colombiana, a apresentadora Regina Case, e Denis Mizne, diretor executivo da organização não-governamental Sou da Paz, com mediação de Damian Platt, membro do AfroReggae e um dos produtores do filme. O evento marca o início dos trabalhos para a terceira edição do Antídoto – Seminário Internacional de Ações Culturais em Zonas de Conflito, a ser realizado também no Itaú Cultural em outubro.

Semelhanças

Aparentemente, a Colômbia e o Brasil se parecem. Lá, como aqui, nas grandes cidades as favelas também crescem assombrosa e desordenadamente. Mas, diferentemente, muita coisa mudou naquele país no quesito violência; como o tráfico intensivo de drogas, tiroteios e mortes. Para conhecer e documentar essa nova realidade, em 2007 Ciavatta e a sua equipe visitaram esse país vizinho. “O que encontramos foi uma situação muito mais complexa do que podíamos imaginar antes de viajar”, conta o diretor do documentário. “Ao mesmo tempo em que nos dois principais centros urbanos se conseguiu diminuir drasticamente a violência, a tranqüilidade contrasta com os enfrentamentos no interior do país.”

Após a implementação da política de segurança pública – que consistiu em sanear a corrupção dentro da polícia, resgatando a sua credibilidade e a da justiça, além de devolver a dignidade à população menos favorecida e envolvê-la no processo -, em dez anos o número de homicídios por cada 100 mil habitantes em Bogotá, passou para 23. Em Medelín, outra cidade que foi exemplo de caos e violência urbana, a criminalidade foi controlada caindo de 360 mortos para 29,4, por cada 100 mil pessoas. Hugo Acero, um dos atores da implementação dessa política – ao lado do ex-prefeito daquela cidade, Antanas Mokus e do ex-presidente César Gavíria -, dá o seu testemunho no documentário. É de Mokus a observação que lhe dá nome: “É perto de onde está o veneno que nasce o antídoto.”

Antídoto

O antídoto, no entanto, ainda não foi aplicado no interior do país e isso provoca um triste e preocupante fenômeno: o dos “desplazados” (deslocados). Eles somam quase 10% da população colombiana, normalmente camponeses, que para fugir da violência procura refúgio nas já inchadas favelas – a de Ciudad Bolívar, em Bogotá, por exemplo abriga mais de um milhão de habitantes. Ali vivem em situação precária e de descriminação.

Em alguns pontos, em vez de se deslocar para a urbe, moradores em comunidades rurais optaram pela resistência pacífica às pressões dos atores armados do conflito e declararam neutralidade. São as chamadas Comunidades de Paz, que nem por isso vivem com tranqüilidade. A mais bem consolidada delas está em San José del Apartado, um vilarejo próximo à fronteira com o Panamá, no qual vivem aproximadamente dois mil agricultores. Apesar dos ataques que já vitimaram 178 de pessoas, eles resistem e insistem na neutralidade. Semeando suas terras e cuidando de seus órfãos, procuram um caminho para viver em paz, ainda que em meio ao conflito e do tiroteio. O testemunho deles é comovente.


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