A Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre, inaugura nova sede hoje, dia 30 de maio, às 17 horas, com a presença do ministro da Cultura, Gilberto Gil, e do diretor do Departamento de Museus e Centros Culturais do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), José do Nascimento Júnior. O arquiteto português Siza Vieira também deverá estar presente à inauguração da sua primeira obra no Brasil. Orçada em R$ 35 milhões, a obra recebeu apoio financeiro de R$ 31 milhões, por meio da Lei Rouanet, do Ministério da Cultura. O novo prédio foi construído na margem direita do Lago Guaíba, na região Sul de Porto Alegre, e dispõe de nove salas de exposições distribuídas nos três andares superiores, que serão dedicadas à preservação do acervo de mais de quatro mil obras daquele que foi um dos maiores expoentes do expressionismo brasileiro. São pinturas, desenhos, guaches e gravuras produzidas por Iberê Camargo. O espaço também abrigará obras de outros artistas referenciais do cenário nacional e internacional.
A nova sede terá um centro de pesquisa e informação sobre o acervo, com biblioteca especializada, banco de dados, videoteca e hemeroteca, voltado ao atendimento de pesquisadores nacionais e internacionais. O projeto arquitetônico, de autoria do português Álvaro Siza, ganhou reconhecimento internacional quando recebeu, em 2002, o Troféu Leão de Ouro na Bienal de Arquitetura de Veneza. Siza é considerado um dos cinco arquitetos mais importantes da atualidade pelas premiações recebidas, como o Prêmio Pritzker, da Fundação Hyatt de Chicago.
O pintor Iberê Camargo é um dos grandes nomes da arte brasileira do Século XX. Nascido em 1914, em Restinga Seca, no Rio Grande do Sul, passou grande parte de sua vida no Rio de Janeiro. Teve sua obra reverenciada em exposições de renome internacional, como as Bienais de São Paulo, de Veneza, de Tóquio e de Madri. Também integrou inúmeras mostras no Brasil em países como França, Inglaterra, Estados Unidos da América, Escócia, Espanha e Itália. Iberê Camargo morreu aos 79 anos, em agosto de 1994, na cidade de Porto Alegre, e deixou um acervo de mais de sete mil obras.
Inovações
A nova sede da Fundação Camargo foi construída em betão armado em toda a sua extensão, sem utilizar tijolos ou elementos de vedação, formando contornos arredondados para destacar a forma e o movimento das rampas construídas nos pavimentos. É o único edifício no Brasil que foi construído totalmente em betão branco, que dispensa pintura e acabamentos, além de oferecer leveza, harmonia visual e beleza escultural à obra”. O prédio foi construído na margem direita do Rio Guaíba, na região Sul de Porto Alegre e conta com nove salas para exposições, distribuídas pelos três andares do edifício.
A temperatura e a umidade interior da obra são administradas por meio de um controle inteligente monitorizado de modo a garantir a proteção do acervo de Iberê Camargo. O sistema de ar-condicionado produzirá gelo à noite, quando o custo de energia é mais barato, para assim refrigerar o ambiente durante o dia, reduzindo os custos da operação e maximizando a utilização de energia. O novo projeto dedica uma atenção especial ao meio ambiente. A água da chuva vai ser reutilizada nas casas de banho e haverá uma estação de esgoto que se encarrega de tratar os resíduos sólidos e líquidos. A água tratada resultante do processo de tratamento do esgoto servirá para regar todos os espaços verdes em volta do edifício.
No andar de acesso principal à Fundação existe um átrio espaçoso que foi projetado com o propósito de dar visibilidade aos andares superiores. Esse átrio também poderá ser utilizado para diversas intervenções artísticas. O atelier de gravura do pintor Iberê Camargo, as salas para cursos e oficinas de arte, o auditório com disponibilidade técnica para cinema e o parque de estacionamento para 100 veículos ficam no subsolo. A nova Fundação Iberê Camargo foi orçada em 20 milhões de euros.



