Obras do artista plástico paulistano Alex Flemming poderão ser vistas em Brasília (DF), na Referência Galeria de Arte, no CasaPark, de 1º a 26 de outubro, em uma exposição individual com obras inéditas e outras que já foram expostas em galerias nacionais e internacionais. Intitulada Alex Flemming – Fotografias, a mostra apresentará oito fotografias sobre PVC, em formatos que variam de 0,25cm x 0,35cm a 2m x 1,80m, além de algumas obras que serão comercializadas. A mostra é um olhar sobre a produção fotográfica recente do artista. Na exposição, os visitantes terão a oportunidade de observar uma reflexão de Flemming sobre o papel da humanidade no mundo e sobre as suas criações, na qual o artista privilegia a arquitetura.
A mostra conta com peças inéditas, além de obras escolhidas especialmente para a exposição, que fazem parte do acervo que o artista mantém em Berlim e São Paulo. Parte do que será visto na Referência Galeria já foi exposto no Museu de Arte de São Paulo (Masp) e na Galeria Blickesndorff, em Berlim. Para Alex Flemming, as fotos são experiências estéticas do congelamento do olhar de um artista. “A fotografia é a forma de expressão por excelência da atualidade e é com bons olhos que eu vejo seu desenvolvimento artístico e estético”, afirma Flemming. “Deveríamos ler mais Willem Flusser, cujos textos trazem verdadeiras “chaves” de entendimento sobre essa forma de expressão”, recomenda o artista.
Entre os diversos trabalhos de Flemming, merece destaque a intervenção urbana apresentada na Estação Sumaré do Metrô, em São Paulo. O artista enfeitou a plataforma da estação com retratos, no estilo 3×4, de pessoas comuns, anônimas e de raças distintas. As imagens que lembram fotos de passaporte, foram enfileiradas dos dois lados da estação sobre paredes envidraçadas. Alex Flemming nasceu em São Paulo, em 1954. Formou-se primeiro em Economia, estudou Arquitetura na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), fez curso livre de Cinema na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) até decidir se dedicar às Artes Plásticas. Depois de ter vivido em Miami, Lisboa e Berlim Oriental, Alex Flemming recebeu bolsa da Fundação Fullbright para desenvolver, em Nova Iorque, o projeto Male and Female nudity in na photo-abstract way, entre 1981 e 1983.
A partir de uma pesquisa sobre as figuras esquecidas no lixo da história, fez surgirem as séries Dragões, Monstros, Múmias e Obeliscos, Atletas, Ácaros, Cabeças e Traqueotomia, que se estendem de 1985 a 1991. Em 1990, concebe uma série que se tornou referencial em sua trajetória, Ex-touros, na qual apresenta cabeças empalhadas de bois pintadas com tinta em azul metálico e dispostas sobre latas de lixo invertidas. A coleção foi levada, com imensa repercussão, ao Masp e ao Film-Museum de Frankfurt. O trabalho realizado sobre o lixo o leva a ser procurado pelo diretor do Museu de História Nacional da Universidade de São Paulo, que o “presenteia” com vários animais silvestres empalhados e deteriorados. Com este material, o artista cria a instalação Um Ritual de Passagem, apresentada na 21ª Bienal Internacional de São Paulo. A repercussão deste trabalho no exterior, o leva a ser convidado para morar em Berlim, na Alemanha, onde reside há 17 anos.



