Publicado por: Carlos Scomazzon | Quarta-feira, Abril 29, 2009

Para especialistas, comunicação pública prioriza cidadão

A partir da esquerda: Heloiza, Zémor, Elisabeth e Duarte

A partir da esq: Heloiza, Zémor, Elisabeth e Duarte

A professora Elisabeth Brandão saudou a presença de vários profissionais de assessorias de comunicação de instituições públicas ao seminário Comunicação Pública: A Experiência Francesa, realizado na sexta-feira, dia 24, em Brasília, e lembrou que as primeiras discussões sobre a comunicação pública, no final dos anos 1990, coincidiram com o novo momento político do Brasil e a busca por uma nova cidadania. “Eram jovens profissionais da comunicação que tinham profundo idealismo e acreditavam que a comunicação pública pudesse ir além da mídia”, disse a professora. Segundo ela, o debate com Zémor é uma oportunidade de se discutir uma nova forma de comunicação pública, que se baseia não apenas em passar a informação através da mídia, mas construindo uma nova relação com o cidadão.

Elisabeth lembrou que houve, nos últimos anos, uma ampliação significativa do uso da internet no serviço público brasileiro e destacou a importância da informação pública. “Há 12 anos, ouvi de um profissional de informática que a maior dificuldade para a implementação de um site de uma instituição pública era causada pelos jornalistas, que queriam colocar notícias na página”, disse a professora, citando o caso como exemplo da mudança de mentalidade que houve na comunicação do serviço público.

Nos últimos dez anos, segundo a professora, a comunicação com o cidadão ajudou a reforçar o estado democrático brasileiro. A comunicação pública, diz ela, passa pela discussão ética de como informar melhor o cidadão, com a tecnologia da informação a serviço da população. Lembrando que o francês Pierre Zémor é o principal pensador e teórico sobre comunicação pública, Elisabeth Brandão disse que ele serviu de referência para as primeiras discussões sobre o tema no Brasil.

A professora Heloiza Matos lembrou que se deparou com os livros de Pierre Zémor sobre comunicação pública quando esteve na Europa pesquisando sobre comunicação política. “A contribuição de Zémor para a comunicação pública é indiscutível.” Heloiza observou que não se pode reduzir a comunicação pública às mensagens institucionais do governo. “A comunicação pública precisa ser vista como processo político e social, compreendendo a expressão, a interpretação e o diálogo de temas de interesse público.” Segundo ela, é preciso estimular o envolvimento dos grupos sociais, ao invés de privilegiar o marketing político. “A comunicação pública não é um fenômeno isolado. É uma interação cívica entre o Estado e a sociedade.”


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