Publicado por: Carlos Scomazzon | Quarta-feira, Abril 29, 2009

Zémor: “Na comunicação pública, cidadão não é consumidor”

Zémor (e) falou a comunicadores públicos brasileiros

Zémor (e) falou a comunicadores públicos brasileiros

Na comunicação pública,  o cidadão não pode ser comparado a um consumidor, prega o pensador francês Pierre Zémor. Falando a uma platéia de cerca de 80 profissionais de comunicação de diversas instituições públicas brasileiras na sexta-feira, dia 24, em Brasília, Zémor disse que a maior dificuldade da comunicação pública diz respeito aos conflitos entre interesses gerais dos cidadãos e não ao conflito entre os interesses público e particular. “As empresas podem mudar de clientes, mas as instituições públicas não podem mudar de cidadãos.”

O comunicador público, afirma, irá se comunicar melhor com o exterior quanto melhor for a comunicação interna na instituição pública em que atua. “Para brilhar fora é preciso limpar por dentro. É preciso transparência na maneira como funcionam as instituições.”, ensina o principal estudioso da comunicação pública no mundo. Ele observou que, se houver possibilidade de a instituição pública abrir um canal direto de informação ao cidadão, os jornalistas dos veículos de comunicação poderão exercer melhor seu poder de crítica em relação àquela instituição.

Para Zémor, os melhores comunicadores públicos são os profissionais oriundos da própria instituição pública e que conhecem bem a Casa, pois a comunicação pública não tem a mesma lógica que as empresas utilizam para vender um produto. “É preciso averiguar quais são as preocupações dos cidadãos e saber que respostas estão adequadas. O risco é haver um divórcio entre a comunicação da sociedade e a das instituições públicas.” Já a comunicação de gabinetes, diz Zémor, tem conteúdos mais políticos. “O debate público não apontará a decisão, apenas fará a concertação. A comunicação é um negócio de especialistas apenas para a sua implementação prática.”

Zémor defendeu o estabelecimento de uma “relação de confiança perene” entre instituição pública e o cidadão, escutando-o e informando-o sobre o que é ou não possível fazer na administração pública, num diálogo adulto com a população. “A prática participativa aumenta a democracia.” Ele citou o exemplo do novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, “que teve 10 milhões de pessoas que explicaram para outros 70 milhões de norte-americanos o que seria possível fazer, caso ele fosse eleito”.

Na comunicação de crise, ensina o pensador francês, o que restabelece a confiança é a informação exata do que está acontecendo. “Quando não sabemos o que fazer e como agir, devemos reconhecer isso. A crise não penaliza a comunicação pública; o marketing é que custa caro.”, afirma Zémor.


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