Publicado por: Carlos Scomazzon | terça-feira, outubro 6, 2009

Livro discute transformações da indústria audiovisual

Sinais digitais que podem ser reproduzidos, copiados e exibidos em iguais condições são a nova realidade do cinema. Com a digitalização, “cópia” e “originais” perdem o sentido, e toda a cadeia de produção audiovisual se altera: assim como a indústria fonográfica entrou em crise quando as músicas se transformaram em bites, o cinema está passando por reformulações não apenas técnicas, mas também nos seus modelos de negócios. Luiz Gonzaga Assis De Luca percorre neste seu segundo livro sobre cinema digital – o primeiro foi Cinema Digital – Um novo começo? – as transformações empresariais, sociais e culturais provocadas pela nova tecnologia. Editado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo dentro da Coleção Aplauso, A Hora do Cinema Digital – Democratização e Globalização do Audiovisual foi lançado no dia 6 de outubro, justamente quando o debate sobre a sétima arte está sob holofotes.

Com o olhar de quem vive por dentro a indústria do cinema – Luiz Gonzaga foi um dos fundadores do Cineclube da Fundação Getúlio Vargas e da Federação Paulista de Cineclubes, dirigiu a distribuidora da Embrafilme por três anos e é diretor de relações institucionais do Grupo Severiano Ribeiro e professor do curso de pós-graduação Film & Television, da FGV -, o autor explica o impacto do cinema digital: “Não é uma simples mudança em que se retira um projetor e se coloca outro. É uma profunda transformação, como já ocorreu em diversos setores da vida cotidiana”. Se por um lado ele incomoda a todos – produtores, distribuidores e exibidores, que precisarão dividir as contas da implantação da tecnologia digital, e fornecedores de equipamentos, que vão ter que partir do zero -, ele também traz uma série de vantagens, como a redução de custos com cópias, mais segurança contra pirataria e maior faturamento da exibição.

A evolução técnica é percorrida em detalhes, da película cinematográfica em 35 mm, desenvolvida por Eastman Kodak sob a encomenda de Thomas Alva Edison, às atuais tecnologias, que culminaram, por exemplo, com a distribuição do filme Gomorra, pela Paris Filmes, com apenas uma cópia em película e dezenas digitais. Também dedica um capítulo inteiro ao cinema 3D, que, depois de passar por altos e baixos desde suas primeiras aparições, em meados da década de 1910, está vivendo um momento de grandes investimentos por conta da tecnologia que aprimora cada vez mais seus resultados.

Mas Luiz Gonzaga não se limita à técnica. Ao lado deste caminho de inovações, constrói uma importante análise da história do modo de produção audiovisual. Trata da organização dos estúdios, do impacto de público causado pelo surgimento da televisão, e do videocassete como uma nova alternativa de negócio, em que o mesmo conteúdo – o filme – pode render em diferentes vias de venda. O surgimento das técnicas digitais configura-se, nesse contexto, como uma nova fase do processo, com facilidades de comunicação e distribuição que desafiam as lógicas anteriores do negócio. E já foi amplamente adotado – já existem mais de seis mil cinemas digitais no mundo.

O cinema e a televisão brasileiros ganham atenção especial do autor na análise das transformações da indústria audiovisual. Para entender o estágio atual de seu desenvolvimento e seus obstáculos, Luiz Gonzaga passa pela história das emissoras de televisão brasileiras, dos órgãos ligados à produção audiovisual (como a Embrafilme e a Ancine) e das leis de incentivo que propiciaram a chamada retomada do cinema nacional. Compõe-se um panorama detalhado desta evolução, que desemboca nos novos desafios propostos pelo cinema digital, como a aplicação de impostos, a distribuição dos filmes e a implantação da tecnologia digital nas salas.

O autor já constata um dos principais resultados da nova tecnologia por aqui: “o crescimento da oferta de produções destinadas aos ”cinemas de arte” e aos filmes nacionais, em especial aqueles destinados ao nicho de público mais intelectualizado, propiciando, inclusive, um inédito ciclo de dezenas de documentários que chegaram às grandes telas”. Chama atenção também para as possibilidades de maior acesso que o cinema digital cria, propiciando a construção de salas de exibição com menos investimento. E ainda se arrisca a comparações com os modelos de produção indiano e japonês, propondo uma possível semelhança entre este último e o brasileiro.

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