Publicado por: Carlos Scomazzon | domingo, novembro 8, 2009

Moradores de rua têm suas histórias contadas em documentário de TV

As jornalistas Alessandra de Mauro, Aline Dias, Daniele Garbin, Juliana Couto, Juliana Vieira, Michele de Jesus e Thalita Cardoso – todas formadas pela Universidade Municipal de Caetano do Sul (USCS) – são as idealizadoras do vídeo-documentário Minha rua, minha casa, que mostra histórias de vida e a rotina de homens que estão em situação de rua, muitas vezes por opção própria. Com base na pesquisa Censo/2000, realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), o trabalho das jornalistas mostra o crescimento do número de pessoas que vivem nas ruas. Em 2000 foram identificados 8.088 indivíduos em situação de rua em São Paulo. Destes, 4.395 foram encontrados nos logradouros da cidade e 3.693 encontravam-se nos albergues. Já no ano de 2003 foram contadas 10.399 pessoas, sendo que 6.186 em albergues e 4.213 nas ruas.

O documentário mostra personagens como Sebastião Nicomede “Tião”, 38 anos, que foi passado para trás por seus sócios enquanto estava no hospital se recuperando de um acidente de trabalho que sofrera na própria empresa. Desde então, Tião está em situação de rua, fato este que o motivou a escrever a peça Diário dum carroceiro. O vídeo mostra, também, o dia-a-dia da assistente social Adelice Cummin, coordenadora do Hotel Social São Francisco, que acolhe e encaminha pessoas em situação de risco ao mercado de trabalho.

A jornalista Juliana Borges apontou um fato interessante encontrado pelo grupo na pesquisa e produção do trabalho. O perfil dessas pessoas em situação de rua mudou. Antes eram predominantes os negros, usuários de droga, pessoas com perturbação mental e migrantes vindos da região Nordeste do país. Atualmente, cresce o número de paulistanos que, por problemas de comportamento e familiares, vão para as ruas. O documentário contou com o apoio e entrevistas de assistentes sociais e órgãos de apoio aos moradores e mostra que as pessoas que estão vivendo nas ruas possuem hierarquia, organização. A maioria tem família, estudo, mas por algum problema social, como desemprego, desentendimento dentro de casa, optam por irem morar na rua.

O medo de aparecer na TV e serem reconhecidos foi muito comum, de acordo com as jornalistas da USCS. A quantidade de moradores e falta evidente de condições financeiras levaram até certa organização onde os “mendigos” criaram sua própria moeda chamada de moeda social, em que se trocam sapatos velhos e roupas usadas por utensílios dos mais variados, todos encontrados no lixo. O documentário tem 30 minutos de duração e está à disposição para consulta na biblioteca da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (av. Goiás, 3.400 – S.C. do Sul).

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