Publicado por: Carlos Scomazzon | terça-feira, dezembro 8, 2009

Exposição revela poética da fotografia e da foto-pintura de Telma Saraiva

A exposição Busca apresentará, em Fortaleza, um recorte da produção comercial em fotografia e foto-pintura da renomada fotógrafa cearense Telma Saraiva, natural do Cariri (região sul do Estado), produzida nas décadas de 1960, 70 e 80, revelando a poética dessa artista que não economizou esforços na tentativa de embelezar os retratos dos seus clientes, aproximá-los da pintura e transformá-los em arte. Com curadoria de Franklin Lacerda, a mostra individual de Telma Saraiva acontecerá no Centro Cultural Banco do Nordeste-Fortaleza (rua Floriano Peixoto, 941 – 2º andar – Centro). Gratuita ao público, a mostra ficará em cartaz até 30 de dezembro (dias e horários de visitação: terça-feira a sábado, de 10h às 20h; aos domingos, de 10h às 18h). A exposição Busca, de Telma Saraiva, apresentará séries de fotografias e foto-pinturas diferenciadas por temas, como: casamentos, formaturas, 15 anos, médicos, religiosos, crianças e filhos, além de fotos esquecidas no Stúdio Saraiva, acompanhadas por um áudio com depoimentos de clientes que expõem diferentes relações entre eles e as imagens apresentadas.

As fotografias serão exibidas formando configurações aleatórias, onde incidirá uma luz recortada sobre a imagem, deixando as molduras originais na penumbra. A exposição conta também com um livro contendo as imagens e depoimentos colhidos durante o processo de construção da mostra. O músico Clayton Barros, integrante da banda pernambucana Cordel do Fogo Encantado, foi quem produziu a ambiência de som da exposição – o que transformará a mostra em uma experiência audiovisual.

Telma Saraiva, filha e mulher de fotógrafo, começou a se interessar por fotografia e cinema na década de 1940. Seu pai, fotógrafo na cidade de Crato (localizada no Cariri cearense, no sul do Estado), a incentivava a freqüentar os cinemas da cidade. Telma Saraiva colecionou revistas sobre o assunto e descobriu a técnica de colorir fotografias. Sem hesitar, ela encomenda um estojo de tintas para fotografia nos EUA, e inicia sua carreira de fotógrafa de estúdio. Mas não se torna uma fotógrafa convencional, afinal, como ela mesma afirma: “todo mundo quer ficar bonito no retrato”. Esta técnica não significava simplesmente tornar a foto colorida. Seria algo simples demais, não haveria a menor graça: onde estaria a necessária fantasia? Com o seu talento de fotógrafa-pintora, o retratado poderia se tornar quase uma outra pessoa ou pelo menos alguém mais bem-apessoado, livre das inevitáveis rugas e imperfeições da pele, da falta de brilho nos cabelos, das orelhas de abano e até da indesejada papada.

Sua obra, até então nunca mostrada, foi descoberta recentemente por Titus Riedl, fotógrafo alemão radicado no Cariri, e ganhou exposição de Retrato Popular no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza, e na Pinacoteca do Estado, em São Paulo, em 2006.

Em seguida, suas obras foram apresentadas em uma exposição conjunta com fotos de Marilyn Monroe e em outra mostra realizada na Espanha. No meio de imagens de lambe-lambe, monoculistas e fotógrafos da praça, as imagens de Telma Saraiva se sobressaem. Agora o Centro Cultural Banco do Nordeste-Fortaleza terá a oportunidade de expor um recorte da fantasia do que pode ser o mundo de Telma Saraiva.

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