Publicado por: Carlos Scomazzon | segunda-feira, dezembro 14, 2009

Vão do Masp recebe esculturas de Abelardo da Hora

O escultor, desenhista, gravador, gravurista e ceramista Abelardo da Hora, um dos raros expressionistas brasileiros ainda em atividade, abre no dia 15 de dezembro em São Paulo, a exposição retrospectiva de seus 60 anos de carreira. Vinte e cinco toneladas em esculturas, gravuras, desenhos e cerâmicas estarão no vão do Masp até o dia 14 de fevereiro. O nome da mostra – Amor e Solidariedade – é uma referência à dualidade da obra de Abelardo, em que figuras esquálidas de retirantes nordestinos convivem, no mesmo espaço, com peças de nus femininos feitas de concreto polido e bronze. “O amor eu dedico às mulheres e a solidariedade ao povo”, explica o artista. Depois de São Paulo, as peças de Abelardo vão para João Pessoa, Recife, Caracas, Paris (Museu George Pompidou) e Bruxelas.

Esculturas e desenhos de Abelardo estiveram ou estão em locais tão distantes quanto Ulan Bator, na Mongólia, no Seminário Metodista do Tenenesse (EUA), no Euro Museu da República Tcheca e no jardim do marchand Abelardo Rodrigues, no Cosme Velho, Rio. Nascido em 1924, na Usina Tiuma, em São Lourenço da Mata, bem perto da capital pernambucana, chegou ainda criança ao Recife, em 1932. Desse período inicial na cidade grande, conheceu as brincadeiras de crianças pobres do bairro da Caxangá, que iriam influenciar parte de seu trabalho na vida adulta.

No auge do Movimento de Cultura Popular, em 1962, Abelardo criaria um de seus trabalhos mais pungentes: a série de 22 desenhos de bico-de-pena Meninos do Recife, que foi lançada em álbum como nota de apresentação de Miguel Arraes. Um desses desenhos ilustra a edição francesa do livro Geografia da Fome, a pedido de seu autor, o médico e professor Josué de Castro (1908-1973).

Depois de 1964, quando seus Meninos do Recife foram apreendidos pelos militares – e parte da coleção queimada em frente ao jornal Diário de Pernambuco, junto com exemplares da cartilha de Alfabetização do MCP – Abelardo, já fora do PCB, teve duas outras incursões fora de seu Estado natal: São Paulo e Paris. Na capital paulista foi acolhido pela amiga arquiteta Lina Bo Bardi e seu marido, Pietro Maria Bardi, diretor do Museu de Arte de São Paulo (Masp). O escultor conhecera Lina, no início dos anos 1960, quando ela dirigia o Museu Solar do Unhão, em Salvador.

De volta ao Recife, em 1968, Abelardo mudou radicalmente de vida e foi trabalhar na empresa de pesca de seu irmão Luciano. Diante das perseguições promovidas pelo regime, não tinha condições de sobreviver de arte. Quando a repressão baixou um pouco de tom, Abelardo retomou a atividade artística em sua casa-atelier e ali produziu uma sequência de esculturas de corpos femininos deitados, que balizaria o “outro lado” de sua obra – o toque da sensualidade em cimento e bronze. Mulher, objeto de Repouso foi a primeira dessa série. Depois desse período recifense, Abelardo passou uma temporada em Paris, retornando ao Recife em 1980.

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Responses

  1. Estive na exposição esse final de semana, muito legal! Os trabalhos dele mais puxados ao cubismo com inspiração no Portinari me deixaram fascinados

    Tirei algumas fotos, quem quiser conferir só entrar em http://degraca.acholegal.com/abelardo-da-hora-no-masp/


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