Publicado por: Carlos Scomazzon | quarta-feira, dezembro 30, 2009

Pinacoteca comemora Ano da França no Brasil

Em comemoração ao Ano da França no Brasil, a Pinacoteca do Estado de São Paulo, instituição ligada à Secretaria de Estado da Cultura, inaugura a exposição Hércules Florence e o Brasil: O Percurso de um Artista-Inventor. A mostra, que tem curadoria de Leila Florence, bisneta do artista, fica em cartaz até o dia 14 de março em São Paulo e é composta por cerca de 180 obras entre aquarelas, desenhos, documentos e manuscritos relativos a períodos da vida de Florence (Nice, França, 1804 – Campinas, São Paulo, 1879). A maior parte das obras ainda é inédita e pertence ao acervo pessoal de Leila.

Uma faceta pouco conhecida da produção de Florence refere-se às suas experiências com diferentes técnicas de pintura, principlamente os Tableaux Transparents de Jour (1832), ou painéis transparentes de luz, como ele mesmo traduziu, além de fotografia colorizada. Modalidade de pintura vigente desde o final do século XVIII, os Tableaux Transparents alcançaram desenvolvimento como obras de espetáculo para salões europeus e em ambientes abertos, em longas cenas panorâmicas.

Hercules Florence explorou várias de suas habilidades ao longo da vida. Artista, impressor, escritor, fotógrafo, comerciante industrial, fazendeiro de café, professor de desenho e, integrou o grupo de naturalistas da Expedição Langsdorff (1825–1829) registrando em seus desenhos espécimes de botânica e da biologia, exemplos de etnologia indígena e africana e aspectos topográficos. Verificou-se, posteriormente, que Florence foi pioneiro na criação do sistema de leitura e interpretação das nuvens, prática essencial para a navegação e meteorologia até nossos dias.

Após o término da expedição, Florence fixou-se em Campinas, interior de São Paulo, onde passou a dedicar-se a uma série de experimentos que o levaram à descoberta isolada da fotografia, em 1833. O artista é hoje reconhecido como um dos pioneiros na invenção da fixação da imagem através da luz solar, antecipando-se ao trabalho de Daguerre na França. Inquieto pesquisador, Florence foi ainda responsável pela invenção de um método de transcrição do canto dos pássaros, que denominou Zoofonia, assim como por diversas experiências inovadoras dos métodos de impressão de imagens, como a Poligrafia e os Tableaux Transparents. Criou também o primeiro periódico do interior da província de São Paulo, o jornal liberal O Paulista (1836).

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