Publicado por: Carlos Scomazzon | domingo, abril 11, 2010

Documentário quer estimular debate sobre infanticídio nas tribos indígenas

O documentário Quebrando o Silêncio, dirigido pela jornalista e documentarista Sandra Terena, foi lançado no dia 31 de março, no Memorial dos Povos Indígenas, em Brasília, e mostra histórias de sobreviventes do infanticídio indígena e de famílias que saíram das aldeias para salvar a vida de seus filhos. O infanticídio ainda é uma prática comum em muitas aldeias indígenas do Brasil. As vítimas são gêmeos, deficientes ou nascidos de relações instáveis, de acordo com a crença de cada aldeia. No entanto, a prática vem sendo cada vez mais contestada pelos próprios índios.

Sandra conversou com cerca de 350 mulheres indígenas durante a apuração para o documentário, e percebeu que a maioria delas é aberta à discussão sobre o abandono do infanticídio. “Foram três anos de pesquisa, com cerca de dez a doze povos indígenas do Alto Xingu e do Amazonas”, lembra a documentarista. Segundo ela, o objetivo do filme é promover o debate sobre o tema entre os indígenas, e não influenciar sua cultura. “Percebemos claramente que muitos são contra. Quando fui ao Xingu, no Mato Grosso, os índios da tribo local falaram que o infanticídio diminuiu e que consideram a prática bastante negativa para a própria cultura indígena. ‘A gente não é bicho’, diziam”, conta a jornalista.

Neste ano, a Atini – Voz pela Vida, instituição parceira do documentário e que desde 2006 trabalha na defesa dos direitos das crianças indígenas, pretende exibir o documentário em mais de 200 aldeias do Brasil, com o intuito de fomentar a discussão dos indígenas sobre os Direitos Humanos. “Com o documentário, ficou evidenciado que os próprios índios já entendem que essa situação deve ser superada. Nosso objetivo é que, em pouco tempo, não seja mais necessário abrigarmos famílias indígenas com crianças em situação de risco, pois serão criados mecanismos para que estas famílias possam cuidar de suas crianças na própria aldeia”, explica a coordenadora da Atini, Márcia Suzuki.

O filme rendeu à documentarista Sandra Terena – que também é de origem indígena e é presidente da ONG Aldeia Brasil – dois prêmios em 2009: o Voluntariado Transformador (na categoria Reduzir a mortalidade infantil), promovido pelo Centro de Ação Voluntária de Curitiba; e o Prêmio Internacional Jovem da Paz (na categoria Comunicação), realizado por diversas instituições, entre elas a Aliança Empreendedora e o Projeto Não-Violência. Por seu trabalho de apoio às famílias em situação de risco e fomento do debate cultural a respeito do infanticídio indígena, a Atini receberá, na ocasião do lançamento do filme, o Prêmio Aldeia Brasil de Relevância Social.

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