Publicado por: Carlos Scomazzon | terça-feira, abril 13, 2010

Puras Misturas e lançamento do Pavilhão das Culturas Brasileiras

A Prefeitura de São Paulo inaugurou, no dia 11 de abril, a exposição Puras Misturas, que anuncia a criação do Pavilhão das Culturas Brasileiras, no Parque Ibirapuera. A futura instituição ocupará o Pavilhão Engenheiro Armando Arruda Pereira, um edifício de 11 mil metros quadrados projetado por Oscar Niemeyer nos anos 1950, tombado pelos órgãos de patrimônio histórico municipal, estadual e federal. Depois de sediar eventos como a Bienal de Artes de São Paulo (1953) e o Pavilhão dos Estados durante o IV Centenário de São Paulo (1954), o prédio deixou de ser utilizado como espaço cultural para abrigar, por quase quatro décadas, a Prodam (Companhia de Processamento de Dados do Município de São Paulo) e agora retorna a sua vocação original. Em Puras Misturas, os visitantes conhecerão uma parte do acervo do futuro museu. Serão exibidas peças de arte erudita, popular e indígena adquiridas recentemente pela Secretaria Municipal de Cultura ou vindas de outras coleções públicas, com destaque para os acervos do antigo Museu do Folclore Rossini Tavares de Lima, que desde o ano passado pertence à Secretaria, e da Missão de Pesquisas Folclóricas empreendida por Mário de Andrade. A curadoria geral é de Adélia Borges e Cristiana Barreto é a curadora geral adjunta.

A exposição celebrará a riqueza e diversidade da cultura do Brasil, apresentando um diálogo entre variadas formas de criação artística produzidas em diferentes tempos e lugares. “Ao construir diálogos entre as culturas letradas e iletradas, ou cultas e populares, será possível evidenciar como ambas se alimentam mutuamente, num processo permanente de recriação e ressignificação, que acaba por tornar equívoca a própria oposição entre essas duas esferas”, afirma Adélia Borges.

A expressão Puras Misturas, cunhada pelo escritor João Guimarães Rosa em carta a um amigo, foi escolhida para esse projeto por sua afinidade com o conceito da exposição. “Tomamos emprestada essa expressão paradoxal e contraditória porque ela expressa com poesia a trama que a nosso ver constitui a força maior da cultura brasileira. E esse processo é dinâmico, está sempre se reinventando”, diz Adélia.

A mostra traz cerca de 1.600 peças numa área de 2.500m2 e fica em cartaz até dia 12 de setembro de 2010. Um módulo histórico chamado Da Missão à missão apresenta uma linha do tempo, construída em um painel de 180 metros de comprimento, com um histórico das principais iniciativas de difusão da diversidade da cultura brasileira. O painel terá início com a Missão de Pesquisas Folclóricas realizada em 1938 por iniciativa de Mário de Andrade, passando por nomes como os integrandes do Movimento Folclórico Brasileiro, em especial Rossini Tavares de Lima, além de Aloisio Magalhães e Lina Bo Bardi, entre outros. No final desse módulo, apresenta-se de forma sintética o projeto do Pavilhão, cuja missão será “pesquisar, registrar, salvaguardar e difundir a diversidade cultural brasileira”.

Um módulo propositivo traz peças de artistas como Alcides Pereira dos Santos, Artur Pereira, J. Borges, José Antonio da Silva e Zé do Chalé; coleções de ex-votos, rendas, bonecas de pano e xilogravuras do acervo reunido pelo Museu de Folclore; ao lado de peças emprestadas por colecionadores de artistas como Alex Flemming, Di Cavalcanti, Emmanuel Nassar, Farnese, Fulvio Pennacchi, Luiz Hermano, Mauro Fuke, Rubem Grilo, Samico, Tarsila do Amaral, Vicente Rego Monteiro, Victor Brecheret. A arte indígena estará representada com diferentes povos, como os Mehinako do Mato Grosso, os Tukano do Amazonas e Kadiweu, do Mato Grosso do Sul, além de peças arqueológicas da cultura Marajoara.

A revitalização do pavilhão Engenheiro Armando Arruda Pereira, necessária para abrigar o futuro Pavilhão das Culturas Brasileiras, teve pré-projeto conceitual iniciado em 2008, sob a coordenação de Adélia Borges, com a participação de Cristiana Barreto, Marcelo Manzatti e Maria Lúcia Montes, entre outros colaboradores e consultores. Neste mesmo ano, o escritório de Pedro Mendes da Rocha foi contratado pela Secretaria Municipal de Cultura para elaborar projeto executivo de restauro e adequação do prédio ao uso museológico. Para restaurar o pavilhão, a Secretaria Municipal de Cultura buscará recursos do governo estadual e federal para custear as intervenções de restauro das fachadas e cobertura; as obras internas e implantação de sistema de ar-condicionado e ventilação.

O Pavilhão abriga todo o acervo do antigo Museu do Folclore Rossini Tavares de Lima, que ocupava o prédio da Oca até 2000, quando foi transferido para a Casa do Sertanista em função da Mostra do Redescobrimento. A coleção, que passou por catalogação e higienização, conta com cerca de 3.600 objetos (cerâmicas, roupas, gravuras, pinturas, esculturas, etc.), 2.200 fotografias, 400 registros sonoros e 9750 livros e documentos. Todo o acervo já se encontra no edifício no Ibirapuera.

A Secretaria Municipal de Cultura irá centralizar no Pavilhão das Culturas Brasileiras outros acervos municipais que hoje se encontram dispersos, como a coleção da Missão de Pesquisas Folclóricas de Mário de Andrade, peças de Vitalino que se encontram na Biblioteca Mário de Andrade e obras de arte indígena do Museu da Cidade. Muitas delas se encontram há vários anos inacessíveis à população. As visitas monitoradas podem ser agendadas pelo telefone (11) 5083-0199 ou por e-mail.

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