Publicado por: Carlos Scomazzon | sábado, junho 12, 2010

Artigo: Luiz de Miranda, a mais extensa Obra Poética da Língua Portuguesa

Luiz de Miranda, a mais extensa Obra Poética da Língua Portuguesa

Por José Edil de Lima Alves

BRASIL: Poeta uruguaianense nascido em 1945 e já com mais de quarenta anos de carreira literária, Luiz de Miranda tem vinte e sete livros publicados num total de páginas que impressiona pelo volume, sem, contudo, comprometer negativamente o conteúdo e a qualidade.

De fato, são duas mil quatrocentos e onze [2411] páginas impressas com poemas que mantêm apreciável qualidade estética, tematizando assuntos que vão da esfera social às manifestações eróticas, dirigidos ora a um público adulto e maduro, ora a um público formado por jovens adolescentes.

A lírica mirandina destaca-se sobremaneira pela tematização da palavra como instrumento e como objeto do seu fazer poético, com de resto deve ser todo o poema que aspira um patamar verdadeiramente literário, primando pela sonoridade do verso, sempre sustentado por ritmos adequados aos assuntos de que se ocupa com propriedade e com percuciente capacidade, como a de esmerar-se na busca do vocábulo próprio para exprimir o que o seu fértil estro lhe dita.

Em língua portuguesa, passando pela produção dos mais diferentes poetas nos mais diversos períodos e países, de Angola a Moçambique, do Brasil a Portugal, sem deixar de mencionar Cabo Verde, Luiz de Miranda constitui-se em caso singular, pode-se dizer, seja pela qualidade de sua produção, reconhecida por diferentes e importantes críticos, tanto no Brasil como no exterior, seja pela extensão de versos produzida que se encaminha célere para se constituir na mais alentada de quantas se tem notícia.

Manuel Bandeira, em seus sessenta [60] anos de produção, era o poeta que, junto com Carlos Drummond de Andrade, apresentava uma quantidade realmente apreciável de poemas. em nosso país; Fernando Pessoa e Camões, em Portugal também escreveram significativo número de poesias. E todos, seguramente, já foram ultrapassados por Luiz de Miranda que ainda tem quatro livros inéditos: ‘Velas de Portugal’, 270 páginas; ‘Salve Argentina’, 200 páginas, ‘Monolítico [Memória que não Morre]’, 300 páginas, e ‘Rio de Janeiro, Canto de Amor e Esperança’, com 170 páginas.

Para entendermos melhor a obra mirandina nunca será demais ter-se uma visão continental mesmo que sucinta, mas necessária.

O ensaísta e professor universitário Perfecto Cuadrado, da Universitat de les Illes Balears, em Palma, Mallorca, Espanha, sobre Luiz de Miranda afirma: ‘ . . . é o grande poeta épico que transforma o eu pessoal em coletivo, a voz individual na voz de um povo. Dá prosseguimento ao que fez Rubén Darío, seguido por Gabriela Mistral e Pablo Neruda. É uma voz única na América Latina.’

Não é uma afirmação isolada.

Raul Bopp, o celebrado autor de ‘Cobra Norato’, ainda nos anos setenta do século XX, disse do autor aqui focalizado: ‘A poesia de Luiz de Miranda revela a sensibilidade do verdadeiro grande poeta. É uma contribuição definitiva à literatura brasileira.’. Já o professor universitário, crítico e poeta, Affonso Romano de Sant’Anna, registrou: ‘A poesia de Luiz de Miranda é forte como o Canto General, de Pablo Neruda, e o poeta uruguaianense constitui-se em um verdadeiro Orfeu dos Pampas.’

Na verdade, nesses mais de quarenta anos de trajetória poética, Luiz de Miranda jamais perdeu de vista a realidade continental americana. E bem antes de iniciar-se como poeta em letra e forma, pode-se falar dos contatos com a realidade poética das Américas pelas leituras que o passar do tempo foi-se encarregando de tornar mais intensas de um Edgar Alan Poe, Walt Whitmann, Inés de la Cruz, Octavio Paz, Amado Nervo, da América do Norte, passando pelos centro-americanos Gertrudis de Avellaneda, José Martí, Rubén Darío, para chegar aos sul-americanos Zorrilla de San Martín, Etcheverria, Andrés Bello, José Hernández, Juana de Ibarbourou, Pablo Neruda, Gabriela Mistral, Alfonsina Storne, Jorge Luís Borges, dentre tantos, tantíssimos outros de língua castelhana, sem descurar dos patrícios, a começar por Basílio da Gama e Tomás Antônio Gonzaga, chegando àqueles que hoje dão sustentação ao que de melhor é produzido no Brasil.

Em seu trabalho poético, de forma recorrente tem tratado de lugares e de pessoas humanas, formadores desta realidade americana que tanto o envolve. Vultos políticos, quais Salvador Allende, Martin Luther King, Che Quevara, João Goulart, e artísticos, como Pablo Neruda, Fernando Pessoa, Mario Benedetti, têm merecido de Miranda não apenas o reconhecimento, mas a mais eloqüente distinção.

O número que fala da produção intensa desse escritor que vive para a Poesia, pode-se dizer sem exageros, é reflexo de uma mudança de rota que acontece quando Miranda publica Quarteto dos Mistérios, Amor e Agonias, 384 páginas [1999], Trilogia do Azul, do Mar, da Madrugada e da Ventania, 304 páginas [2000], galardoado dom o ‘Prêmio Nacional 2001 da Academia Brasileira de Letras’, Trilogia da Casa de Deus, 280 páginas [2002], Canto de Sesmaria, um singularíssimo poema desenvolvido em 280 páginas [2003] e Nunca Mais Seremos os Mesmos, com 416 páginas [2005].

Mercê do seu trabalho, tem vindo o justo reconhecimento, em prêmios conferidos por diferentes comunidades, como Nova Iorque, Assunção do Paraguai, Porto Alegre e Bolonha, para citar algumas. Recentemente, recebeu o título de Membro de Honra do Instituto Literário y Cultural, com sede na Califórnia,USA, passando a figurar ao lado de nomes ilustres como Jorge Luís Borges, Isabel Allende e Ernesto Sábato, por exemplo. E a revista Alba de América [800 páginas], editada pela citada entidade, publicou poemas de Miranda e um ensaio de Antonio Olinto sobre a obra do ilustre uruguaianense.

Sempre voltado para nosso Continente, ainda no mês de julho, do corrente, em sua cidade natal, a fronteiriça Uruguaiana, acabou de redigir o poema intitulado Salve a Argentina, composto por 101 cantos, certamente o primeiro cântico de louvor à patria-irmã, escrito por um brasileiro.

O conjunto de sua produção, por sua qualidade, naturalmente, faz com que cada vez mais eu reafirme o que escrevi um dia sobre sua poesia: ‘De fato, analisando com vagar e atenção os livros até hoje publicados de Luiz de Miranda, sem qualquer dúvida é possível afirmar que se trata de um dos grandes poetas brasileiros de todos os tempos, dando seguimento às grandes produções do idioma português, de Camões a Fernando Pessoa, passando por Antero de Quental e Carlos Drummond de Andrade.’.

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José Edil de Lima Alves* é Doutor em Letras pela UFRJ – Membro da Academia Rio-grandense de Letras e da Academia Uruguaianense de Letras. Professor na Ulbra/Canoas

Pequena Biografia & Fortuna Crítica

Luiz de Miranda nasceu em Uruguaiana/RS, fronteira com a Argentina e Uruguai. Sucesso de público e de crítica. ‘Amor de Amar’ vendeu 1860 exemplares em 2 meses. ‘Livro dos Meses’ vendeu mais 30 mil. ‘Livro do Pampa’, 20 mil. A maioria está com a edição esgotada. Grande Prêmio de Poesia do ano de 2001 da Academia Brasileira de Letras, pelo livro ‘Trilogia do Azul, do Mar, da Madrugada e da Ventania’. Para Ary Quintella: ‘Miranda é o melhor poeta vivo do Brasil’. O poeta Affonso Romano de Sant’Anna afirma: ‘Sua poesia é forte, é um verdadeiro ‘Canto General’, de Pablo Neruda, cheio de generosa amizade. A Poesia sopra com a força mítica de Orfeu. Um Orfeu dos Pampas’. LM é verbete da Enciclopédia Biblos da Europa, a pedido da Universidade de Coimbra, Portugal, com texto composto pela Profa. Dra. Regina Zilberman.

Em 1988, recebe o Prêmio Érico Veríssimo, da Câmara de Vereadores de Porto Alegre. Em 1997, ganha o título ‘Cidadão de Porto Alegre’, por votação unânime dos vereadores.

Recebe o Prêmio ‘Negrinho do Pastoreio 2005’, como melhor poeta do Rio Grande do Sul. A votação foi feita por Prefeitos, Vice-Prefeitos e Secretários de Cultura do Estado. Miranda tem 27 livros publicados, num total de 2411 páginas editadas. Tem prêmios nos Estados Unidos, Itália, Paraguai e Panamá.

Foi eleito Membro de Honra do Instituto Literário Y Cultural Hispânico, em março de 2007, ao lado de nomes como Jorge Luis Borges,Ernesto Sábato, Isabel Allende, tornando represente do Instituto no Brasil, com sede na Califórnia [USA]. Seus 40 Anos de Poesia foram comemorados no Brasil, Argentina e Paraguai. Foi criado o Concurso Bi Nacional Poeta Luiz de Miranda para escritores argentinos e brasileiros

Em 1987 é eleito para a Academia Rio-grandense de Letras.

Em 2000 é eleito para a Academia Sul Brasileira de Letras.

É Sócio Honorário do Instituto João Simões Lopes Neto

Miranda tem três obras inéditas: Salve Argentina, 102 Cantos, a sair em Buenos Aires, Velas de Portugal, 120 Cantos, a sair em Lisboa, Monolítico [Memória Que Não Morre] 220 Cantos, a sair em 2008, Alquimia da Vida Verdadeira, 120 Cantos. No prelo da Editora Global, SP, está Melhores Poemas de Luiz de Miranda.

Nunca Mais Seremos os Mesmos, esta epopéia que resume toda a sua mitologia pessoal como poeta e que nos descortina aquilo em que consiste a herança dos que nascem nos Pampas. Trata-se de um poema de raiz e que, como tal, mergulha fundo e viscoso na alma de quem o lê. (Ivan Junqueira – Presidente da Academia Brasileira de Letras – Rio de Janeiro, 17 de Abril de 2005)

Sua Trilogia da Casa de Deus é forte, é um verdadeiro ‘Canto General’ de Pablo Neruda, cheio de generosa amizade. A Poesia sopra com a força mítica de Orfeu. Um Orfeu dos Pampas. (Affonso Romano de Sant’Anna – Rio de Janeiro, 2002)

Miranda é o grande poeta épico que transforma o eu pessoal em coletivo, a voz individual na voz de um povo. Dá prosseguimento ao que fez Rubén Darío, seguido por Gabriela Mistral e Pablo Neruda. É uma voz única na América Latina. (Perfecto Cuadrado – Madrid, 2005)

Luiz de Miranda é o grande poeta do Pampa, no mesmo lirismo épico de José Hernández, num tom mais alto que o próprio Martín Fierro. (Gerardo Mello Mourão – Rio de Janeiro, 2005)

De fato, analisando com vagar e atenção os livros até hoje publicados de Luiz de Miranda, sem qualquer dúvida é possível afirmar que se trata de um dos grandes poetas brasileiros de todos os tempos, dando segmento às grandes produções no idioma português, de Camões a Fernando Pessoa, passando por Antero de Quental e Carlos Drummond de Andrade. (José Édil de Lima Alves – Porto Alegre, 2005)

Luiz de Miranda é tão autêntico quanto a sua arte. É impossível não gostar dele, como é impossível não gostar de sua poesia. Luiz de Miranda, poeta maior deste país. (Moacyr Scliar – Porto Alegre, 1997)

Luiz de Miranda é uma das poucas grandes vozes da poesia brasileira atual. (Nelson Werneck Sodré – Rio de Janeiro, 1996)

Do tempo e da circunstância, do amor dos outros e da vida, de fiapos da existência dilacerada destas horas, do efêmero cotidiano que os poderosos crêem que não fique, dessa matéria fluida e perdível, da captação desse lixo da história e da exploração do homem, do sensível e emotível e comovível, destas coisas aparentemente irrelevantíssimas, Luiz de Miranda ergueu este seu canto de eternidade: bem haja! (Antônio Houaiss – Rio de Janeiro, 1987)

A poesia de Luiz de Miranda fala de todos nós. (Ferreira Gullar – Buenos Aires, 1976)

O essencial da poética de Luiz de Miranda, um dos mais altos momentos da Poesia Brasileira Contemporânea, se inscreve na grande tradição lírica da Língua Portuguesa e na esteira da revolução das linguagens do nosso tempo, aberta ao futuro pelo modernismo dos dois lados do Atlântico e prolongada por sucessivas gerações deste século. (José Augusto Seabra – Paris, 1997)

Como já disse tua poesia é única que funciona como um ‘organum’, como os neo-helênicos de Alexandria [vide Kavafis]. Chegas com Nunca Mais Seremos os Mesmos ao topo mágico dos grandes poetas. És uma das mais poderosas poéticas do mundo atual. Pena que eu ande adoentado e não possa escrever um ensaio sobre isto. (Gerardo Mello Mourão, Rio, 2006)

CANTO 13
[Luiz de Miranda] escrito em domingo 06 abril 2008

Porto Alegre Porto Alegre

alegria pra nós que
precisamos
tenho saudade em
demasia
das coisas que nunca tive

Rio Guaíba
a grande alma da cidade
retrato do sol
caindo na noite
arco de sangue no
horizonte
nos abraça
como se fosse
o único barco
que se esgalha
na linha da água

Mas este rio
é maduro demais
nele pulsam alguns
peixes
e mais é lodo
rolando sobre
os raros seixos
do seu fundo
o mais é lodo
vagorosa morte.

(Fonte: Poetas del Mundo)

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