Publicado por: Carlos Scomazzon | quarta-feira, julho 7, 2010

Magnelli no MAC USP Ibirapuera

O Museu de Arte Contemporânea da USP apresenta a exposição Magnelli, em sua sede no Ibirapuera, de 14 de julho a 12 de setembro de 2010. Com curadoria de Daniel Abadie, professor de História da Arte da Universidade Livre de Bruxelas, a exposição reúne 64 pinturas do artista italiano Alberto Magnelli (1888–1971), realizadas entre 1912 e 1969. As obras pertencem a acervos da França e da Bélgica, além de coleções particulares brasileiras e ao próprio MAC USP. Apresentada no Rio de Janeiro entre abril e julho deste ano, a mostra foi idealizada e organizada por Lisbeth Rebollo Gonçalves, ex-diretora do MAC USP.

Magnelli foi um pioneiro da abstração, membro destacado do grupo Abstración Création de Paris. Em Florença, o contato com os Futuristas o instigou ao modernismo e, mais tarde, em Paris, se identificou com o Cubismo. “Se Magnelli trava contato com a explosão futurista e isto revela sua potencialidade, é no cubismo que encontra a plasticidade de sua obra”, diz o curador Daniel Abadie. Convivendo com Appolinaire, Picasso, Léger, Gris, e Archipenko, entre outros, é o encontro com Matisse que influencia a composição de interiores com figuras humanas, em cores fortes e contornos pretos. “Encorajado pelo exemplo de um dos mestres incontestáveis da pintura moderna, Magnelli pôde dar início a outro estágio ao espalhar blocos uniformes e não modulados de cor, circundados por uma linha negra, para produzir o imediatismo ousado dos pôsteres publicitários, cujos elogios estavam sendo cantados por Apollinaire”, escreve Abadie no texto de apresentação da mostra.

A aproximação com os cubistas levou Magnelli à simplificação de sua obra e à abstração, iniciando, em 1915, a série Explosões Líricas. A partir de 1917, experimentou as figuras geométricas relacionadas ao cubismo sintético. Depois de 1920, retornou à figuração sob a influência da pintura metafísica de Giorgio De Chirico e Giorgio Morandi. Em 1931, uma visita a Carrara, Itália, inspirou a série Pierres Eclatées (Pedras explodindo) – sintoma de seu retorno ao Abstracionismo. Até retomar a abstração de uma vez por todas, houve um momento em que Magnelli se engajou em uma tendência quase surrealista, que ele rejeitou rapidamente por ser muito literária e sem considerações práticas e artísticas. A partir da década de 1950, o reconhecimento internacional veio com sua participação na Bienal de Veneza e na I Bienal de São Paulo (Prêmio Aquisição), e com o Prêmio Guggenheim de Nova York.

Magnelli manteve estreita ligação com o Brasil, exercendo papel importante na fundação do Museu de Arte Moderna de São, em 1949. Muito próximo de Francisco Matarazzo Sobrinho, patrono do Museu, Magnelli morava em Paris e fez muitas aquisições para o museu paulista, oferecendo um contínuo aconselhamento a Ciccillo Matarazzo para a construção do acervo do MAM SP. Hoje, essas obras integram o acervo do MAC USP.  A exposição está aberta de terça a domingo das 10 às 18 horas, no MAC USP Ibirapuera, Pavilhão Ciccillo Matarazzo, 3º piso – Parque Ibirapuera, em São Paulo (SP). A enntrada é gratuita.

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