Publicado por: Carlos Scomazzon | quinta-feira, julho 8, 2010

Cruzamento de dados internacionais revela detalhes de imigrações no Brasil

Pesquisadores brasileiros acabam de voltar da Itália com informações e documentos importantes sobre a origem de italianos que vieram para o Brasil e foram fundamentais nas transformações pela qual o País passou no período de 1924 a 1945 (entre guerras). O objetivo do projeto é cruzar dados de documentos do DEOPS – antiga polícia política paulista – e de instituições italianas e portuguesas. O projeto de pesquisa existe há três anos e agora intensifica a internacionalização dos dados. Liderado por 10 professores da Universidade Presbiteriana Mackenzie, o grupo sempre se dedicou a estudos sobre a imigração de portugueses e italianos para São Paulo. “Todos os professores sempre estudaram essa temática. Agora, o diferencial é que podemos realizar um trabalho em comum, com suporte da Universidade para, inclusive, ampliar estudos e fazer parcerias com instituições nacionais e internacionais”, explica Rosana Schwartz, Professora do Centro de Ciências e Letras do Mackenzie e uma das integrantes do projeto.

Ao contrário de outros estudos, o Projeto do Mackenzie não se vale de observações sobre o início das imigrações portuguesa e italiana no Brasil. A intenção é juntar e analisar documentações de 1924 a 1945. “Nesse período, a presença de italianos e portugueses no Brasil e principalmente em São Paulo foi fundamental nas transformações sociais visíveis no País. Além dessas transformações, o Estado Brasileiro passa por reorganizações em suas bases políticas. Por isso é que a documentação do DEOPS torna-se muito importante ao nosso trabalho”, destaca a professora Rosana.

Já está em pleno funcionamento uma rede internacional de informações que permite rastrear a atuação política militante de alguns dos imigrantes prontuariados pelo DEOPS paulista. Outros arquivos, além do DEOPS, estão sendo consultados, como o arquivo da Torre do Tombo, em Lisboa, o Archivio Centrale dello Stato, em Roma, e documentos existentes em Universidades nacionais e estrangeiras (Universidade Nova de Lisboa, Universidade do Porto, PUC-SP, Unicsul, Memorial do Imigrante de SP e Arquivo Nacional do Rio de Janeiro). Essa troca, segundo Rosana Schwartz, é fundamental para trazer informações inéditas sobre a imigração ocorrida no Brasil. “As pesquisas que realizamos no início de maio no Archivio Centrale dello Stato di Roma, por exemplo, permitiram que encontrássemos documentos completos que não existem no Brasil. Há informações muito importantes sobre ações de fascistas, socialistas, comunistas e anarquistas que interferiram na história brasileira”.

Na visita recente feita ao arquivo romano, por exemplo, Rosana destaca que foi possível encontrar documentação dos órgãos de segurança do Estado sobre os anarquistas Oreste Ristori e Gigi Damiani, que foram muito atuantes na cidade de São Paulo nas primeiras décadas do século XX, e de algumas mulheres militantes envolvidas com o socialismo, comunismo e anarquismo na Itália e no Brasil. “Destacar as ações das mulheres imigrantes trabalhadoras nos espaços públicos e privados é uma questão central da pesquisa, pois a história da cidade de São Paulo é marcada pela interferência dessas mulheres, tanto na vida cotidiana como por meio da organização de associações de bairro, clubes de mães e até sindicatos”, ressalta Rosana Schwartz.

Durante a pesquisa no Arquivo do Estado de Roma, a equipe fotografou vários documentos referentes aos anarquistas citados e localizou algumas bandeiras e cartazes de propaganda de grupos operários organizados e peças de teatro, que foram enviadas da Itália para o Brasil como modelos para a propaganda política. “Nesta etapa da pesquisa, conseguiu-se reunir importantes evidências documentais e pistas relevantes para a reconstrução da interferência desses imigrantes na história de São Paulo”, destaca a professora. Com a coleta e avaliação de todos os documentos, o projeto fará com que o acervo já disponível torne-se um extenso Banco de Dados com informações da Polícia Política Paulista (DEOPS), ao longo de seus quase 60 anos de atividade. A esses dados serão acrescentadas todas as informações internacionais atualmente em fase de coleta. Não existe um prazo determinado para a conclusão do projeto, mas sim caminhos e etapas concluídas com o entrelaçamento das informações.

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